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Introdução

Chroma Key: 17 Dicas Profissionais para gravar com perfeição

Chroma Key: 17 Dicas Profissionais para gravar com perfeição

Afinal, você sabe o que é chroma key?

O chroma key consiste em uma técnica de efeitos visuais que, ao sobrepor uma imagem a outra, anula uma tonalidade específica, como por exemplo o azul, o vermelho, ou o verde. Não à toa ela é utilizada com frequência em vídeos quando há necessidade de substituição do fundo por outra imagem, seja ela em movimento ou estática.

O chroma key é um aliado e tanto das produções audiovisuais para os mais variados fins. Isso porque ele consiste em uma ferramenta extremamente simples e capaz de salvar muitas produções, especialmente quando o orçamento é baixo e não há muita disponibilidade de cenários – mas por outro lado, há muita vontade de inovar, fazendo algo diferente e criativo.

Cena do filme "Os Vingadores" com chroma key verde
Cena do filme “Os Vingadores” com chroma key verde

Sabe-se que o chroma key é uma estratégia muito utilizada nos estúdios hollywoodianos: especialmente nos mais famosos filmes de super-heróis que estão repletos de cenas fantásticas e recheadas de efeitos especiais.

Além de diminuir (e muito) o orçamento para a gravação, o chroma key também é muito utilizado por ser um recurso prático, que pode ser aplicado em ambientes controlados como os estúdios de filmagem. Em uma grande produção no centro de Nova York ou Tóquio, por exemplo, fechar uma praça, um parque ou qualquer outro grande espaço pode ser algo muito trabalhoso – tanto para conseguir autorização como principalmente para fazer esse lugar “parar” por alguns instantes até que a gravação dos takes seja efetuada. E é aí que entra o chroma key e toda a sua facilidade.

No entanto, isso pode gerar a falsa sensação de que o chroma key é uma estratégia utilizada apenas por grandes produtoras. Com conhecimento técnico, criatividade e, é claro, usando as ferramentas corretas é possível tirar proveito dessa técnica também em trabalhos mais caseiros.

Pensando nisso, criei esse material com 17 dicas profissionais para gravações com chroma key. Elas foram adquiridas em mais de 20 anos de experiência no mercado, após muitos erros e acertos, além é claro, do desenvolvimento de incontáveis materiais para clientes dos mais variados segmentos e portes do mercado. Ou seja, um material elaborado por quem entende do assunto.

Dica 1: Fazer um planejamento das cenas com chroma key

É extremamente importante escolher o fundo que você vai usar na edição do seu vídeo com chroma key antes de iniciar as gravações. Somente a partir do planejamento é que podemos calcular as posições das luzes, o enquadramento e principalmente a posição das pessoas e objetos em cena. Inclusive, é necessário definir antes se vai ter ou não, movimentos de câmera e qual o tamanho do estúdio que vai precisar.

Você sabia que é possível usar um aparelho para monitorar a gravação? Graças a evolução da tecnologia, o mercado hoje, oferece equipamentos com custo acessível, que nos permitem ter um sistema de chroma key funcionando em tempo real. A Atem mini da Blackmagic Design, por exemplo, permite substituir o fundo verde por uma imagem da sua preferência enquanto você grava ou transmit o resultado final ao vivo, assim como a “moça do tempo”.

Atem Mini Extreme Pro com sistema de chroma key em tempo real.
Atem Mini Extreme Pro com sistema de chroma key em tempo real

Dica 2: Usar a cor certa no seu chroma key

As pessoas costumam me perguntar:
Por que o chroma key tem que ser verde? Qualquer verde funciona?

Na verdade, o chroma key pode ser qualquer cor, porém as mais utilizadas são: azul e verde. Há também quem utilize a cor vermelha, mas não é recomendado para filmagens com pessoas, pois está presente na pele humana.

A palavra “Chroma” quer dizer “cor”, enquanto a palavra “key” significa “chave” em inglês. Então, o termo “chroma key” não é se refere a um objeto, uma cor ou um software. Chroma key é uma técnica, um processo.

Primeiramente, para preparar o fundo com a cor adequada, é preciso decidir qual será o material utilizado para o fundo – tinta, tela ou tecido. A seguir vamos falar sobre o preparo em cada um deles.

Tinta: Chroma key com pintura na parede

Se a ideia é criar um fundo com pintura, é necessário atentar-se à escolha da marca de tinta e sua qualidade. As marcas oficiais mais usadas na indústria cinematográfica atualmente são: Rosco, Pro Cyc, e Cineshop.

Dica de Ouro para economizar no chroma key sem perder qualidade:
É possível comprar a tinta verde por um valor mais acessível do que as das marcas citadas acima. Você pode solicitar o preparo personalizado em qualquer loja da Suvinil ou representante, apresentando o seguinte código: PANTONE 354 C. Se preferir a marca Sherwin-Williams, use o código SW 6925 Envy. Este tipo de preparo costuma oferecer um melhor custo-benefício e ainda garante uma excelente qualidade na cobertura da parede.

Assim como em qualquer outro tipo de pintura, é necessário preparar o espaço escolhido para ser a superfície do fundo chroma-key, de modo que ela fique bem uniforme e lisa.

Quantas demãos de tinta são necessárias?

Dá para sentir a necessidade de cada superfície – no entanto, são recomendadas no mínimo 4 demãos de tinta para que a tonalidade fique bem forte e a superfície, uniforme. Lembre-se que quando pintamos uma parede no interior de casa, dificilmente colocamos muita luz ou ficamos o tempo todo olhando para ela e buscando por defeitos. Mas quando o objetivo é utilizar aquela parede para uma gravação profissional, temos que atentar a cada detalhe.

Tecido: Chroma key com tecido

O segundo material que você pode utilizar para fazer o seu fundo de chroma key é o tecido.
Neste caso, é fundamental que o tecido fique 100% esticado, de maneira uniforme. A tonalidade escolhida, por sua vez, deve ser o mesmo verde mencionado anteriormente, da tinta. Em dúvidas na escolha?

Você pode conferir o tom de verde ideal para a montagem da sua estrutura chroma key por meio do código Pantone 354 C. Lembre-se dele!

Dica de Ouro para não errar na compra do tecido para chroma key:
Muito cuidado com os tecidos vendidos pela internet com essa finalidade. Muitos deles tem uma tonalidade amarelada e, desta forma, há grandes chances de que se tornem um investimento perdido. O tom amarelado no tecido pode prejudicar muito o resultado, principalmente em se tratando de filmagens com pessoas. No geral, a pela humana tem tons de amarelo, o que fica ainda mais evidente em pessoas pardas.

O tecido também não deve ser utilizado em frente a uma superfície que não esteja previamente uniformizada. Isso porque é natural que alguns deles sejam levemente transparentes, revelando, desta forma, detalhes imperfeitos por trás.

Telas Eletrônicas: Chroma key utilizando uma tela

Por fim, a terceira forma de aplicação da técnica de chroma key é por meio das telas. É possível substituir o fundo de uma TV, um aparelho celular e até mesmo um notebook em uma cena, utilizando esse recurso.

Homem com iPad mostrando tela verde.
Homem com iPad mostrando tela verde

Para aplicar o chroma key em telas é necessário projetar uma imagem com cor sólida, de preferência na extensão .PNG, com os códigos destacados a seguir:

Chroma Key Verde

  • RGB: 0, 177, 64
  • Hexadecimal: #00b140
  • Websafe: #009933
  • CMYK: 81, 0, 92, 0

Chroma key Azul

  • RGB: 0, 71, 187
  • Hexadecimal: #0047bb
  • Websafe: #0033cc
  • CMYK: 90, 68, 0, 0

Dica de Ouro: Cenas em movimento com chroma key:

Se houver movimentação com as telas durante o take, o recomendado é utilizar ainda aplicativos com marcadores para gerar pontos de referência, que na pós-produção são chamados de tracking.

Segue a lista de alguns aplicativos mais utilizados para essa finalidade:

  • EZ Greenscreen (Grátis)
  • ChromaGeek (Grátis com opção paga)
  • VFX Tracking Markers (Grátis com opção paga)
  • VFX screens Pro (Pago)

Dica 3: Aplicar a distancia ideal do fundo

Pouco se fala sobre a distância que a pessoa ou o objeto deve manter quanto ao fundo sólido para que o trabalho seja o mais profissional e livre de imperfeições possível. Neste sentido, o recomendado é que a pessoa ou o objeto em destaque, ou seja, em primeiro plano, seja posicionado com pelo menos 4 metros de distância do fundo (que vamos chamar aqui de segundo plano). No entanto, em espaços maiores, a recomendação é que essa distância seja de 6 metros. Se possível, opte por ela.

Por que uma distância tão grande?

No geral, a cor verde no tom apropriado para a técnica de chroma key, possui alta capacidade reflexiva, o que faz com que fisicamente seja impossível estar próximo ao verde sem ser “contaminado” por ele.

Sendo assim, ao colocar a pessoa ou objeto muito próximos ao fundo, há grandes chances da cor sólida do fundo refletir na pessoa gerando falhas na gravação que serão notadas somente durante o processo da composição (pós-produção).

O que fazer quando o local de gravação é muito pequeno?

Em espaços menores de gravação, a indicação é de que a pessoa ou objeto em primeiro plano seja posicionado o mais longe possível do fundo – considerando é claro as especificidades do ambiente e compensar a falta de espaço com uma técnica de iluminação que vou apresentar mais a frente.

Dica 4: Dobrar a atenção em relação às demais cores

Usar roupas brancas, ou qualquer outra tonalidade muito clara, deve ser evitado ao máximo para prevenir que a cor do fundo invada o primeiro plano.

Por isso, lembre-se: sempre que for indicar a gravação para um convidado, apresentador ou entrevistado avise-o para comparecer ao estúdio de gravação com roupas mais escuras;

Roupas com estampas ou imagens que tenham tonalidades iguais ou muito similares à cor de fundo do chroma key, devem ser descartadas. Neste caso as informações da estampa podem acabar entrando em conflito com o fundo, criando uma falha na composição final.

Outro erro comum é não criar o contraste ideal entre as cores do primeiro e segundo plano. Para isso é necessário conhecer mais sobre o color wheel, que em português significa: disco de cores.

Como um Color Wheel (disco de cores) pode ajudar nas composições para vídeos?

Você já deve ter visto um disco de cores, principalmente nas aulas de artes do ensino fundamental. Ele é formado pelas cores primárias, secundárias e terciárias – uma ferramenta muito útil para criação de composições em diversas áreas relacionadas à arte.

Disco de cores na mão de um artista
Disco de cores

Como o nosso objetivo aqui é o aprimoramento da técnica do Chroma Key, vamos focar no conceito das cores complementares. Para identificar uma cor complementar, basta achar as cores que estão de lados opostos no disco.

Você vai ver que o círculo é dividido em uma região de cores quentes e outra de cores frias. As cores complementares estão sempre em lados opostos, criando uma harmonia bem contrastante. Repare que as cores vermelho e roxo são complementares ao verde e o amarelo. Essa informação é bem relevante para nossa técnica.

Para evitar o efeito “spill” – quando o verde do fundo reflete na pessoa ou objeto em primeiro plano, além de lembrar do distanciamento que é essencial, também é interessante optar por objetos e figurinos que tenham tons de vermelho e roxo para criar um contraste forte e favorecer o corte do fundo na pós-produção.

Claro que nem sempre será possível trabalhar com vermelho e roxo no primeiro plano, e quando este for caso, lembre-se de pelo menos evitar totalmente o emprego de cores análogas na composição. As cores análogas estão dispostas bem próximas umas das outras dentro do disco de cores. Sendo assim, saiba que se utilizar tons de azul-esverdeado ou amarelo-esverdeado terá grandes problemas.

Caso você utilize a técnica do chroma key para gravar apenas uma pessoa em primeiro plano, minha sugestão é que você opte pelo fundo azul, ao invés do verde. Isso porque, o azul está diretamente oposto aos tons de amarelo no disco de cores, proporcionando um contraste ideal com os tons de pele. Neste caso, é preciso ficar atento ao figurino: nada de jeans ou tons de azul nas roupas. Lembre-se: contraste é tudo!

Dica 5: Ajustar o ângulo da câmera de acordo com o fundo

Muitas vezes o erro na utilização do chroma key pode estar no que consideramos uma das bases do bom trabalho audiovisual: a escolha do ângulo da câmera.

A correta utilização da câmera é reta, na altura da parte de cima do objeto ou da pessoa (neste caso, a câmera pode ser posicionada de frente com o tronco e/ou cabeça do indivíduo).

Ângulos inclinados, no geral, não são recomendados – principalmente quando de cima ou de baixo do corpo do indivíduo. Esses ângulos trazem uma falsa sensação de profundidade, deixando os objetos (e principalmente o corpo humano) com um formato estranho.

Saiba sempre que, no chroma key, você vai substituir o fundo verde por uma imagem de outro cenário. Essa imagem, por sua vez, costuma ser feita em um ângulo zerado, ou seja, sem inclinação nenhuma. Se na hora de captar as imagens você optar pelo ângulo inclinado, seja para cima ou para baixo, ele não vai “casar” com a nova imagem de fundo.

Sendo assim, em termos de inclinação, é importante considerar a perspectiva do fundo que será aplicado na pós-produção. Caso as perspectivas do primeiro e segundo plano fiquem diferentes, o resultado ficará desconfortável e nada profissional.

Dica 6: Usar iluminação na temperatura correta

Bater o branco é realmente fundamental e faz parte dos ajustes básicos quando falamos no processo de captação audiovisual. No entanto, a escolha da temperatura da iluminação utilizada no chroma key influencia de forma bem expressiva nesse processo.

Nunca utilize iluminação barata quando estiver gravando com chroma key!

No geral não recomendo a utilização de nenhuma iluminação que fique acima de 5600 na escala Kelvin, uma vez que a luz utilizada para gravação acaba ficando extremamente artificial – resultando em menor qualidade para o material gravado.

CRI alto (95% ou +) é muito importante!

As lâmpadas de LED permitem que os iluminadores sejam mais acessíveis, porém muitas delas trabalham com temperaturas acima de 6000K e isso é muito ruim, sem contar que o CRI ficam média abaixo de 60%. Então certifique que o seu iluminador trabalhe abaixo dos 5600k e ofereça um CRI de 95% ou mais.

A escala de temperatura Kelvin Color é dividida em 10 tonalidades que vão exatamente de 1.000 a 10.000. Sendo assim, indica-se a utilização apenas até a 5ª escala, de 5.000.

Equipe gravando em estúdio com chroma key verde
Equipe gravando em estúdio com chroma key verde

E a luz quente? É uma boa alternativa?

Sim! A luz quente, de 3200K geralmente se torna uma boa escolha para utilização com o fundo verde. No entanto, é fato que nem sempre o ambiente em si é adequado para trabalhar com esse tipo de luminosidade, em se tratando de luz quente em local sem ar condicionado.

A saída então pode ser a utilização de painéis de led com 5000k, que trarão qualidade para as imagens sem deixá-las artificiais.

O controle de branco no equipamento, por sua vez, pode ser feito com o auxílio de uma cartela oficial de White Balance (balanço de branco). Esse acessório pode ser facilmente encontrado em lojas de fotografia e/ou equipamentos de produções audiovisuais. Eu super recomendo!

Dica 7: Iluminar o fundo de maneira uniforme

Uma vez que tenha montado sua estrutura de fundo para chroma-key, chegou a hora de aprender a iluminá-la de maneira correta e uniforme.

Como iluminar o fundo para chroma-key de maneira uniforme?

Para iluminar a área, é recomendado utilizar quatro ou mais pontos de luz. Isso porque dois deles ficam concentrados no fundo; e os outros pontos de luz são utilizados para iluminação da pessoa e/ou objeto posicionado em primeiro plano.

Iluminadores com luz difusa

Para alcançar um resultado ainda melhor e mais uniforme na iluminação, o mais recomendado é utilizar iluminadores que atuam na emissão de luz difusa. São alguns exemplos neste sentido, os painéis de luz fria com lâmpadas PL e os painéis de led.

É importante saber que quanto maior o espaço, mais iluminadores serão necessários para manter a uniformidade da luminosidade presente no fundo de cor sólida. O segredo não está na potência da luz e sim no seu posicionamento correto.

O Fresnel é recomendado para esse tipo de trabalho?

Não. No geral, o fresnel não consiste em um iluminador muito adequado para esse tipo de estrutura, uma vez que a sua luz é afunilada e estreita com uma lanterna. No entanto, ele pode ser um bom coadjuvante caso seja combinado com um difusor adequado.

Utilize difusores como aliados

Os difusores também podem ajudar a deixar o fundo mais uniforme. O mais recomendado neste caso é utilizar os difusores no interior dos iluminadores.

Qual é o melhor material para o difusor?

Os mais recomendados são os difusores de papel ou tecido “Butterfly”.

Dica 8: Utilizar luz de limpeza

Luz de limpeza é uma expressão utilizada em fotografia e é muito importante na hora de montar o seu fundo verde. Basicamente, ela consiste em uma luz “contra”, para lavagem do verde, podendo ser utilizada em qualquer lugar onde houver reflexo do verde (como no cabelo, roupas ou pescoço, por exemplo).

Aqui sim vale a pena utilizar o fresnel com participação do difusor. E caso esteja trabalhando com luz fria, lembre-se de usar gelatina corretiva para casar a temperatura das fontes de luz.

Dica 9: Usar gelatina Minus Green para remover o spill

Você sabia que as cores não estão nos objetos e sim na luz. Se você está olhando para uma maçã vermelha, ela está apenas refletindo a cor vermelha, que vem da luz. É por isso que recomendo usar a gelatina Minus Green da marca Rosco (código 279) para remover a saída de verde da sua fonte de luz. Você vai fazer isso somente nos iluminadores fontais que estão apontados para o primeiro plano. Essa gelatina é mais recomenda para iluminadores com lâmpadas PL e iluminadores de led com CRI inferior à 85%, pois eles emitem uma quantidade maior de verde. Além disso essa gelatina é uma excelente aliada para a luz de limpeza, mencionada na dica anterior.

Dica 10: Usar iluminação verde para o fundo

Essa dica pode soar como um pouco de exagero, eu sei.

Mas a verdade é que, na indústria cinematográfica as luzes verdes para o fundo são muito utilizadas, sendo grandes aliadas das gravações com fins profissionais. As luzes especiais cumprem o papel de deixar o fundo de chroma-key ainda mais uniforme, trazendo um resultado perfeito para a gravação. Sendo assim, pode apostar nela!

Dica de Ouro: Luz verde para uniformizar o chroma-key gastando pouco:

Como no Brasil é um pouco mais difícil encontrar essas luzes na cor do fundo, você pode adicionar gelatina para modificar a cor da luz e alcançar um resultado muito similar.

Vou deixar aqui os códigos das gelatinas que eu uso:

  • Rosco Roscolux Chroma Green, 20×24″ Color Effects Lighting Filter
  • Lee #738 JAS Green Gel Filter

Dica 11: Gravar com a maior resolução possível

Sabia que a resolução da sua imagem também pode influenciar a qualidade da sua produção? Pois é.

No anseio de economizar espaço com arquivos mais leves, que reduzam o tempo de edição, muitos profissionais acabam gravando em uma resolução inferior ao máximo permitido pelo seu equipamento – o que pode ser considerado um grande erro.

Neste sentido indicamos que toda gravação seja realizada na maior resolução possível do equipamento. Sendo assim, se a sua câmera possui resolução máxima de 8K, você já sabe o que esperamos, certo? Isso mesmo, grave em 8K!

Por que a resolução padrão deve ser a máxima?

Quanto mais pixels disponíveis na imagem maior é a chance de que o computador ou outro dispositivo usado para edição consiga determinar com maior precisão qual é o trecho com o fundo de cor sólida – e qual é o trecho do primeiro plano.

A Blackmagic Design, ciente disso, criou uma câmera capaz de gravar em 12K, facilitando e muito a vida dos produtores audiovisuais.

Dica 12: Escolher o melhor formato de arquivos

A partir do momento em que o botão “gravar” é apertado na câmera, começa ali um processo complexo de compactação de informações – e é exatamente nele que o nosso fundo verde pode simplesmente se tornar um problemão durante a pós-produção.

A escolha do formato de gravação do arquivo, no entanto, depende muito do modelo de cada equipamento. Recomenda-se que seja conferido no manual da sua câmera qual é o formato em que ela efetua a gravação em menor compressão.

Sendo assim, prefira sempre os formatos mais robustos – como é o caso do formato RAW ou ProRes. Eu, por exemplo, gosto muito de utilizar essa segunda opção ao trabalhar com chroma-key. Haja o que houver, corra de arquivos mais compactados, como é o caso do AVC, h.264 ou outros do mesmo tipo.

Dica 13: Usar câmeras que gravam cores em 4:2:2 e 10 Bit

A diferença entre uma câmera de 8 bit ou 10 bit – assim como de uma câmera 4:0:0 ou 4:2:2, é grandíssima, uma vez que ambos os parâmetros estão relacionados à profundidade de cor.

Câmera profissional de cinema
Câmera profissional de cinema

A câmera de 10 bit, quando em comparação com a de 8 bit, tem como principal diferença a qualidade da imagem – ao mesmo tempo em que o tamanho dos arquivos também tende a ser menor.

A câmera com 4:2:2, por sua vez, possui maior concentração de pixels, fazendo com que os valores de luminosidade e cor deste tipo de modelo sejam melhores.

Sendo assim, para melhor profundidade de cor, prefira as câmeras que rodem em 4:2:2 e 10 bit.

Dica 14: Evite gravar em Log

Você sabe o que é log?

O log consiste em um tipo de sistema ou perfil de gravação da câmera. Neste tipo de gravação o resultado fica “lavado”, motivo pelo qual o tempo de edição pode se tornar bem maior.

Existem apenas dois modelos de câmera em que a utilização de log para fundo verde pode se tornar um aliado interessante: as câmeras RED e Arri. Caso contrário o log (ou suas variações, como o s-log, v-log, c-log e outros) não é recomendado.

Por que não o utilizar?

Basicamente o log e o fundo verde não foram feitos um para o outro – quando trabalhamos com chroma key é necessário aplicar medidas capazes de gerar o maior contraste possível entre o primeiro e o segundo plano, conforme já vimos muito no decorrer deste artigo, certo?

No entanto, o log faz exatamente o trabalho inverso, evitando esse contraste: e é por isso que ele pode acabar dando um grande trabalhão no momento pós-produção.

Dica 15: Grave com o ISO nativo do equipamento

Antes de tudo: você sabe o que é o ISO nativo da sua câmera – e principalmente em como ele pode interferir na gravação de suas imagens com fundo verde? Vamos lá.

O ISO, como já sabemos, é o recurso da câmera que mede a sensibilidade do sensor à luminosidade. Sendo assim, quanto maior é o ISO, maior é também sua sensibilidade à luz.

Dessa forma, a câmera entende que o espaço a ser fotografado precisa de uma quantidade maior de claridade, ampliando assim a captação de luz. Pelo contrário, quanto menor for o ISO, menor será esse valor.

Sendo assim, o ISO nativo da câmera nada mais é do que a base da sensibilidade obtida sem que se torne necessário amplificar o sinal previamente recebido do sensor.

Quando configuramos a câmera no ISO nativo, extraímos a melhor performance possível do sensor. Isso significa que vamos captar com o máximo alcance dinâmico (dynamic range) que o sensor pode oferecer e com o mínimo possível de ruídos na imagem.

No chroma key, a quantidade de luz pode fazer toda a diferença na captação das imagens, conforme já vimos ao longo deste material. Sendo assim, faça o teste gravando com o ISO nativo e veja a mágica acontecer.

Dica 16: Utilize a abertura certa no diafragma

Na gravação com o chroma key o objetivo central é fazer com que tanto o segundo plano (fundo verde, azul ou vermelho) como o primeiro plano (objeto ou pessoa) estejam em foco. Apenas dessa forma o software de edição reconhecerá os dois planos com maior facilidade e exatidão.

A grande finalidade aqui é fazer com que todos os planos estejam em foco. Sendo assim, recomendo a abertura do diafragma em f/8. Em alguns casos, essa abertura pode ser reduzida um pouco mais, para f/10 ou f/12. Tudo vai depender da lente, da câmera e até mesmo do espaço disponível para gravação.

Na hora de ajustar o diafragma é muito importante se atentar também ao ajuste do ISO. Caso esteja muito alto, ele pode tornar a imagem granulada, diminuindo a qualidade do filme e consequentemente tornando a edição muito mais longa. Esse é um dos motivos pelo qual câmeras com sensor full frame são mais cobiçadas pelos filmmakers, pois elas permitem elevar o ISO com mais facilidade sem gerar muito ruído na imagem, mas isso é assunto para outro dia.

Dica 17: Use a velocidade correta de quadros por segundo

Quando falamos em gravação com fundo verde, azul ou vermelho, em hipótese alguma é indicado realizar a gravação em 24 quadros por segundo – e muito menos em baixa velocidade no obturador, com por exemplo 1/48.

Quanto à baixa velocidade, os quadros podem acabar se misturando, de modo a dificultar a separação entre o que é primeiro e segundo plano (ou seja, pessoa e fundo de cor sólida).

Configuração da câmera para chroma key:

Eu gosto de configurar a minha câmera em 30 frames por segundo e em velocidade 1/60 para a gravação de vídeo aulas, ou seja, quando a tendência é de movimentos menos bruscos e mais assertivos.

Já quando a movimentação da cena é maior (mesmo que relacionada à gesticulação das mãos) o recomendado é dobrar os frames e a velocidade: gravando em 60 quadros por segundo e 1/120 de velocidade do obturador. Desta forma os movimentos são captados sem que os quadros se misturem.

Considerações finais

Chroma key não é um bicho de 7 cabeças, mas pode gerar muitos problemas caso tente fazer sem a ajuda de um profissional.

Eu mesmo já cometi muitos erros durante o processo de captação de imagens para composição, e o que me fez evoluir nessa técnica foi buscar ajuda com os melhores profissionais do Brasil e o mais importante de tudo, testar muito.

O que achou dessas dicas profissionais sobre o uso de chroma key? Caso tenha restado alguma dúvida sobre utilização do fundo verde não hesite em entrar em contato com a gente.

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